Começos
O começo do ano é um acontecimento tão celebrado que todo mundo para só pra ver chegar, exceto para aqueles que não podem folgar. Mas basta que passemos no mercado para a música nos lembrar de pensar "no que você fez".
Tenho tido a ligeira sensação de que as resoluções estejam saindo de moda. Claro, um ano que já começa com polêmicas envolvendo o STF e órgãos regulatórios, sequestro do presidente ilegítimo e protestos brutalmente reprimidos, não parece inspirar tanta esperança, sem falar da ansiedade gerada pelos Algoritmos Generativos. Se fizermos uma pesquisa rápida, a principal crítica às resoluções é que geralmente elas não são cumpridas, então por quê fazê-las?
Mesmo que seja um retrato falho, esse exercício nos dá pelo menos vocabulário para lidar com a nossa autoimagem idealizada. Pode ser que no meio do caminho a gente descubra que não é aquilo que a gente de fato quer, mas pelo menos a gente em algum momento tentou ir naquela direção.
Ao longo do ano passado, meditei sobre a possibilidade de criar alguma coisa que fosse bonita, educativa e divertida, algo que me desafiasse, uma ferramenta mental que eu pudesse usar como válvula de escape, o ibira. As coisas levaram tempo, pesquisa e ponderação. O que eu poderia fazer com prazer e que pode informar e entreter alguém? O que eu posso dizer sem ter medo de estar falando uma groselha azeda? O que acho que falta no mundo e precisa ser dito? O que é urgente para mim? Como encontrar mais pessoas que queiram ouvir o que eu tenho a dizer? Eu não conseguiria seguir com esse projeto sem investigar essas perguntas, mesmo com a certeza de que as respostas que achei estão todas erradas e vão continuar assim ao longo da minha trajetória.
Mesmo admitindo essa situação absurda, entendo que você quer saber o que esperar das próximas publicações. Repito, não posso garantir muita coisa, só que vou escrever. Posso te dar uma dica, vindo do que sou, já dá para esperar algumas coisas.
Sou matemático, apaixonado por ciências da natureza, com incômodo de organização muito seletivo, que teve aulas de piano na infância, mas que hoje morre de medo de tocar em público, que consegue tirar uma melodia de ouvido rapidinho, mas não consegue te tocar uma música completa. Além disso, tenho anos de experiência em empresas dos mais variados tamanhos. Atuei principalmente com engenharia e análise de dados além de infraestrutura de nuvem.
Também me interessa descobrir e contemplar o que as pessoas estão fazendo na internet. Faz algum tempo que vi esse vídeo comentando que internet já foi um lugar legal. Não acredito que aquela internet morreu, ainda mais agora que se pode criar sites só descrevendo a vontade. O que acontece é que as pessoas passam muito mais tempo nas redes sociais.
Confesso que tenho vergonha alheia ao ver pessoas se pressionando para conseguir atenção. Não vou me comparar ao MrBeast, pois ele é fora da curva, mas vê-lo assim me faz lembrar que ele também é humano. Não tem nada de errado em fazer as coisas para ser visto, a questão é ser realista. E eu mesmo não preciso da atenção de tanta gente, se mil de vocês quiserem ouvir o que tenho a dizer, já seria impressionante. Mas não é isso que quero como resolução desse ano. Gostaria que neste ano eu escrevesse consistentemente conteúdo de qualidade que pelo menos 10 pessoas confiram e tenham vontade sincera de continuar acompanhando.
Nos vemos em breve.